"Na grande maioria destes grupos familiares a figura paterna é ausente ou então enfraquecida, incapaz de representar a lei, sucumbindo qualquer possibilidade de romper a relação mãe/filho no momento oportuno"
Buscar o entendimento deste complexo sistema
é objetivo básico para nosso trabalho
De forma geral, são os familiares mais próximos do usuário de droga que procuram o tratamento, quando não o próprio usuário. Neste momento fica claro que a famiília perdeu o "controle" da situação e necessita ser tratada através de um de seus elementos, seu representante legal. Normalmente, o que importa para estas famílias é que o "doente" fique fora.
Buscar o entendimento deste complexo sistema de relações inter-familiares é objetivo básico para que nosso trabalho amadureça no sentido de percorrermos juntos a sua história e podermos desvendar possíveis dificuldades que vão operando rupturas significativas nas formas cristalizadas das relações, viabilizando-se formas mais amadurecidas de SER.
Acercando-se cuidadosamente destes grupos familiares com uma abordagem orientativa, fazendo com que seus elementos sejam estimulados à despertar para a realidade, objetivando a elaboração dos medos, fantasias, etc., tenta-se conscientizar a família, durante o tratamento, da importância de seu envolvimento na possível reestruturação do seu elemento, assim como da necessidade de não isolá-lo.
Evidentemente que se depara com as resistências das famílias e que alguns de seus membros se sentem ameaçados no tocante a rever seus lugares no grupo familiar e quanto aos possíveis rompimentos de vínculos "doentis". Daí que a maioria se torna então indisponível precipitando-se em suas ações e interrompendo de forma abrupta o tratamento, gerando consequências ao interno.
Cada um traz em si sua biografia, acompanhados de uma herança psíquica, cultural e social deixados pelos seus ancestrais. Na organização de um novo grupo familiar, com o casamento dessas heranças se impõe num movimento de repetições, e considerando-se as pré-disposições, conseguimos alcançar o entendimento quanto ao comprometimento dos grupos familiares naquilo que geram. Na grande maioria destes grupos familiares a figura paterna é ausente ou então enfraquecida, incapaz de representar a lei, sucumbindo qualquer possibilidade de romper a relação mãe/filho no momento oportuno. Isto prolonga a simbioticidade e incapacita a criança de reapresentação simbólica, de viver a falta.
Agravando-se ainda mais a condição psíquica desse sujeito, onde o entendimento da lei fica como tarefa futura, fica ele entregue apenas à realização "dos prazeres" a qualquer custo. Paralisado no tempo, nosso cliente é incapaz de viver a falta.
Tendo ainda o respaldo de algum elemento familiar que rege a relação na complementação do seu desejo, o dependente desenvolve e cristaliza um modo de ser, vivendo um sentimento constante de ameaça a qualquer possibilidade de rompimento dessa relação.
Com certeza existem outras organizações familiares que se apresentam configuradas e revestidas com papéis diferentes na relação entre si em que, consequentemente vão se instalar situações compatíveis com a estrutura destas organizações.
Drogas e álcool, metafóricamente falando, seriam a azeitona, quando o maior problema é a empada. Isto é, a estrutura da personalidade e a família. Após algum tempo de uso de drogas e álcool teremos também os prejuízos físicos, psicológicos, sociais, familiares e profissionais acarretados pela droga/álcool.